sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Baile do Menino Deus- Auto de Natal



Apresentado pela alunas de pedagogia - UNIARARAS - U.E.Morro Doce São Paulo no CEU Parque Anhanguera no dia 15 de dezembro de 2014 para encerramento da II Mostra de Múltiplas linguagens, promovida pelas Professoras Luita Helena de Castro e Susete A R Mendes- Responsáveis pelo Projeto Escola em Movimento

 Baile do Menino Deus é um auto de Natal escrito por Ronaldo Correia de Brito e Francisco Assis Lima, com músicas de Antônio Madureira. Foi encenada pela primeira vez no dia 12 de novembro de 1983, no Teatro Valdemar de Oliveira, Recife.

A obra se opõe à maciça difusão, no Brasil, do imaginário natalino de inspiração europeia. Em vez de papais-noéis, renas e trenós, o musical leva ao palco figuras típicas da cultura popular nordestina, como o Mateus, o Jaraguá, o bumba meu boi, ou os caboclinhos, todos embalados por canções originais, inspiradas nos ritmos e nas tradições da região.










 Sinopse
A história gira em torno de uma festa que vai acontecer, tendo os brincantes como personagens que seguem de casa em casa e um palhaço, Mateus, conduzindo a narrativa. Na peça o Natal não valoriza as compras nem a comilança da festa, mas elege, como foco principal, o Menino Deus e o que ele representa, como símbolo do renascimento e da esperança.

 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

TENHO MEDO - Manoel Severino da Silva




Tenho medo da injustiça

Tenho medo dos rostos esquecidos
Tenho medo da hipocrisia da democracia racial
Tenho medo do discurso unilateral
Tenho medo do mundo de visão única
Tenho medo do mundo globalizado
Tenho medo de uma sociedade brutal
Tenho medo dos vivos que se alegram em matar
Tenho medo do pobre que se contenta em ser pobre
Tenho medo das crianças”invisíveis” para nós
Tenho medo do público subordinado ao privado
Tenho medo do político corrupto
Tenho medo de uma sociedade que cobra mais do que dá

Sim Senhores
Eu tenho medo dos exterminadores da esperança
Tenho medo da propagação da exploração da prostituição infantil
Da exploração do trabalho infantil
E, principalmente, tenho medo do mundo, onde só alguns têm vez.
Tenho medo de um mundo nas trevas
Sim, e simplesmente tenho medo porque sou humano. Não é o medo da morte.
È o medo da morte da esperança, da morte da mudança, da transformação.
E finalmente tenho medo de um mundo sem escola e medo de uma escola sem mundo.



Manoel Severino da Silva
È professor na Rede Municipal de Ensino de São Paulo – EMEF RECANTO DOS HUMILDES

sábado, 13 de dezembro de 2014

ANÚNCIO DE ENTARDECER



Procura-se um sonho.
Ele andou fatiado de medos,
Iludiu-se, imiscuiu-se,
E chegou a flertar com a utopia.

Quem o encontrar,
Diz a ele que o perdoo por tudo.
Que o meu peito, em cicatrizes,
É hoje até mais bonito que antes.

Que aprendi que a força se desdobra
Em indizíveis fraquezas.
E que enquanto ainda chorava de inércia
Meus olhos colheram do sol
A força de desabrochar o meu mundo.

Diz que a solidão me consome os espaços.
E a vizinhança inteira me ouviu a gritar por seu nome.
Diz que sangro a sua ausência
E os seus silêncios me transbordam.
Diz ao meu sonho que ele venceu.
A minh’ alma não se vendeu.



Nara Rúbia Ribeiro
Escritora, advogada e professora universitária.
Escreve poemas e contos.
Administradora da página oficial do escritor moçambicano Mia Couto.
No Facebook:
Escritos de Nara Rúbia Ribeiro

sábado, 15 de novembro de 2014

LEITURAÇO, leituras simultâneas de obras africanas e afro-brasileiras


MURAL COM AS SINOPSES DOS LIVROS

ALUNOS FAZENDO INSCRIÇÃO PARA AS LEITURAS







Nesta sexta-feira, 14 de novembro, no período da manhã  com inicio as 8h30 a EMEF professora Marili Dias promoveu o LEITURAÇO, leituras simultâneas de obras africanas e afro-brasileiras, comemorando o Dia da Consciência Negra. 



A experiência de leitura envolveu cerca de 500 alunos  de 15 turmas do Ensino Fundamental  : Ciclo Interdisciplinar e Ciclo Autoral.

Professores conhecendo o acervo na JEIF





 
ALUNOS AGUARDANDO  O INICIO DA LEITURA
 




Para divulgação dos titulos enviados pela SME, foi promovido na JEIF dinâmica de grupo, onde os professores e Coordenação pedagógicas sentados em circulo puderam conhecer o titulo, ler para os colegas as sinopses e fazer comentários sobre as obras. Escolheram as histórias que queriam ler e registraram o emprestimo na sala de leitura.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O livro sobre nada-Manoel de Barros




É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu queria ser lido pelas pedras.
As palavras me escondem sem cuidado.
Aonde eu não estou as palavras me acham.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim.
Ateu é uma pessoa capaz de provar cientificamente que não é nada. Só se compara aos santos. Os santos querem ser os vermes de Deus.
Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade.
O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
Por pudor sou impuro.
O branco me corrompe.
Não gosto de palavra acostumada.
A minha diferença é sempre menos.
Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria.
Não preciso do fim para chegar.
Do lugar onde estou já fui embora.
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Manoel Wenceslau Leite de Barros foi um poeta brasileiro do século XX, pertencente, cronologicamente à Geração de 45, mas formalmente ao pós- Modernismo brasileiro, se situando mais próximo das vanguardas Nascimento: 19 de dezembro de 1916, Mato Grosso              Falecimento: 13 de novembro de 2014