sexta-feira, 18 de março de 2011

Contos de Enganar a Morte, de Ricardo Azevedo

Contos de Enganar a Morte


Um livro interessante é Contos de Enganar a Morte, de Ricardo Azevedo, da editora Ática. As ilustrações do próprio autor são em preto e branco, em traço firme e grosso, lembrando muito xilogravuras de literatura de cordel.

O livro traz quatro saborosas narrativas populares brasileiras de pessoas que não queriam morrer e inventam truques e ardis para escapar da morte. Mas ela sempre vence no final, é claro.
Meu filho leu e adorou!
“O homem que enxergava a morte” traz a história de um homem que convida a Morte para madrinha seu filho e em troca ela lhe concede o dom de adivinhar se um doente irá morrer ou viver. Com isso ele se torna um médico rico e famoso, mas é claro que quando chega a hora dele mesmo bater as botas a história é outra.

“O último dia na vida do ferreiro” narra a história de um ferreiro que não se seduz com falsas propostas de riqueza feitas pela Morte. Depois de ajudar uma velha necessitada, tem seus desejos atendidos e assim engana a Morte por duas vezes. Mas como sempre no final seu destino é esticar as canelas, como todo mundo.

“O moço que não queria morrer” é a história de um jovem que conhece a Morte por acaso e resolve procurar um lugar onde ninguém morria. Ele acaba achando, mas a imortalidade tem uma condição. E um dia a Morte o engana e ele acaba abotoando o paletó de madeira.

“A quase morte de Zé Malandro” conta a história de um jovem folgado que um dia ganha o dom de ser invencível no baralho, uma figueira que quem sobe nela só desce com seu consentimento, e um banco e um saco de pano que quem se sentar ou entrar nele só sai também com seu consentimento. E com isso engana a Morte e o próprio Diabo. Mas quando chega a hora de entregar a rapadura as coisas não saem do jeito que ele planejou.

Um trecho da última história:

“Certa noite, bateram na sua porta. Era um homem estranho, de cara feia, chapéu e paletó escuro.

- Zé, se prapare – disse o homem. – Sua hora chegou.

- Quem é você? – quis saber Zé Malandro.

- Sou o Diabo – respondeu o outro, tirando o chapéu e mostrando dois tristes chifres. – A Morte não quis vir de jeito nenhum, mas me mandou no lugar dela para buscar você.

- Mas como! – disse o Zé espantado. – Já? Deve haver algum engano!

O Diabo caiu na gargalhada.

- Não venha com essa conversa mole. Já estou avisado sobre você. Vamos embora agorinha mesmo. Ou vai me pedir pra subir na figueira? Nessa eu não caio!

Zé Malandro baixou a cabeça.

- Posso fazer um último pedido? – perguntou ele com lágrimas nos olhos. – É muito importante. É o último deseja de um pobre velho miserável raqítico esclerosado caindo aos pedaços. Queria tomar um traguinho de cachaça antes de abotoar o paletó. Você me acompanha?

O Diabo lambeu os beiços.

- Até que não é má idéia!

- Sente-se aí enquanto eu pego os copos e a pinga – disse Zé Malandro, puxando o banquinho.

Dito e feito. O Diabo sentou-se lá e não saiu mais.

- Me tira daqui! – gritou ele, assustado.

Zé Malandro deu risada, despediu-se e foi jogar baralho.

Com o Diabo preso no banquinho, acabaram-se os crimes na cidade. As cadeias ficaram vazias e os guardas, delegados, advogados e juízes preocupados em perder seus empregos. Além disso, como as pessoas agora só falavam a verdade, começou a haver muita confusão porque as verdades são muitas. Mas o pior não foi isso. Acontece que o Diabo passava o dia inteiro sentado no banquinho gritando, guinchando e falando os piores palavrões.”

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12 comentários:

Simplesmente Rapha disse...

Suze! eu amoooooooooooooo este livro. Sempre conto pros alunos. é um dos meus preferidos e deles tb... beijinhos

Bibih disse...

gostei muuuito do livro,recomendo!
=DD

Juliana 8ªB disse...

Eu vi o filme que os alunos da 7A do ano passado fizeram, e gostei muito!!!

daniel elvis disse...

e muito interessante e muito legal

assasins cred 3 disse...

o livro e otimo e ja li na escola e muito bom

Naiara disse...

só procurei conhecer, pq minha filha de oito anos disse que viu na escola e adorou... achei o máximo

Chelinha disse...

aminha prof de portugues sempre conta essa estoria!!!!

Anônimo disse...

adorooooo esse livro super engraçado

sarah vc disse...

eu adoro os seus livros e estorias tipo coco verde e melancia ou osfigos da figueira ou contos de inganar a morte tchausinho.

sarah vc disse...

eu adoro coco verde e melancia/ e osfigos da figueira/ e contos de enganar a morte/e joão cinzento/ tchau.

evelyn assis disse...



VC ME AJUDO MUITO COM O FIGURINO EU VOU FAZER APRESENTAÇAOTEATRAL DESTE TEXTO VALENDO NOTA
evelyn assis

edna fontes disse...

eu lir esse livro no colegial e me apaixonei adoro essas historias